Fernanda Franco Kubitschek - É escritora e consultora de vendas na indústria farmacêutica. Formada em Comunicação Social pela PUC Minas, desenvolve uma escrita de caráter ensaístico e autoral.
Pedro Kubitschek - Formado em Design Gráfico (INAP-BH) e Medicina (FASEH-MG), casado com Nanda Kubitschek e pai do Rafael Kubitschek, participou de residências artísticas, grupos e exposições no Brasil e no exterior, desenvolvendo na pintura sua principal linguagem, marcada por paisagens de margens de rios em constante evolução e mistério.
Quando a arte me encontrou
Por Nanda Kubitschek
Belo Horizonte, 12 de fevereiro de 2026.
Não fui daquelas crianças que desenhavam nas paredes ou que declaravam, aos sete anos, amor incondicional às tintas e aos pincéis. Meu contato com a arte acontecia na escola, dentro da grade horária, entre uma matéria e outra. Não havia, da minha parte, grande fascínio.
Também era outro tempo. A arte não estava à distância de um clique, nem circulava com a velocidade das telas de hoje. Ela parecia morar em lugares específicos como livros, museus distantes, páginas especializadas e não exatamente no meu cotidiano.
A aproximação veio mais tarde, e veio pelo encontro. Ao conhecer Pedro Kubitschek, conheci também um universo que até então me era periférico. Pedro não apenas aprecia arte; ele vive arte. Ao seu lado, comecei a frequentar museus com a mesma naturalidade com que se frequenta um café. Em cada viagem, já sei: haverá um museu no roteiro. Ou dois. Ou três.
A arte ampliou meu olhar. Ensinou-me que nem tudo precisa ser imediatamente compreendido para ser legítimo. Que a provocação é parte da experiência. Que cores, texturas e silêncios também argumentam. Sou, inclusive, aquela visitante que se aproxima perigosamente da obra, fascinada pela matéria, mas que recua a tempo, consciente de que tocar é quase uma infração moral nesse território.
Com o tempo, percebi que a arte é uma forma sofisticada de expressão daquilo que nos atravessa: alegrias, angústias, inquietações, fé, dúvida. Ela organiza o caos interno ou, às vezes, apenas o revela. Diz o que não se acomoda em frases.
Minha relação com a arte não nasceu de um chamado precoce, mas de um processo. E talvez o mais bonito seja isso: para se inserir nesse meio, basta começar. A arte faz o resto: ela seduz, ela conduz, ela nos transforma.
Correnteza
Por Pedro Kubitschek
Belo Horizonte, 2026.
Que a obra nos convide a refletir sobre o humano — sobre a necessidade de pausar a própria vertigem, desacelerar a corrida dos dias e sentir o instante que se abre agora. Viver a natureza, escutar o vento que acompanha as águas em seu caminho inevitável em direção ao mar.
Pare. Respire. Observe as flores que falam no presente, os raios de luz que chegam neste exato momento, a água que passa — não lenta, mas viva, corrente, urgente e contínua. Sinta apenas o ar entrando, o pulso que se expande, o oxigênio que percorre o corpo e nos lembra, silenciosamente, que estar aqui já é movimento suficiente.
Paisagem - memória
Por Pedro Kubitschek
Belo Horizonte, 2025.
Este projeto nasce de uma pesquisa em pintura a óleo que tem o Rio São Francisco como eixo poético e conceitual. Mais do que um elemento geográfico, o rio é compreendido como corpo vivo de memória, tempo e território. As obras emergem da vivência de suas margens, entendidas como superfícies simbólicas onde se acumulam processos naturais, históricos e afetivos.
A origem do trabalho está nesse território que atravessa diferentes momentos da trajetória do artista. Estar junto ao rio — ou imerso nele — é um gesto de ancoragem no presente e de escuta sensível da natureza, aproximando a experiência pictórica de um estado meditativo e espiritual. As margens mutantes e os ciclos contínuos do Velho Chico reverberam diretamente na construção das pinturas.
Em diálogo com o pensamento de Ailton Krenak e a noção de futuro ancestral, o rio é reconhecido como ente vivo e agente ativo na constituição dos modos de vida. Passado, presente e futuro coexistem como camadas interdependentes, e a pintura se torna meio de tradução sensível dessa temporalidade expandida.
As obras não buscam a representação literal da paisagem, mas a construção de uma “terceira margem”: um espaço subjetivo e suspenso no tempo, situado entre o vivido, o lembrado e o imaginado. Por meio da sobreposição de camadas de tinta, escorrimentos e gestos intensos, a materialidade da pintura opera como metáfora da memória, dos afetos e da espiritualidade.
Ao relacionar o São Francisco aos rios invisibilizados no contexto urbano, o projeto propõe uma reflexão sobre preservação ambiental e coexistência entre cidades e rios vivos. O Velho Chico torna-se, assim, espelho de uma questão global: sua permanência depende das escolhas feitas no presente. As pinturas assumem um duplo papel de contemplação e alerta, convidando o observador a um olhar atento sobre a paisagem, o território e a casa comum que habitamos.
Chuva forte na beira
Por Pedro Kubitschek
Belo Horizonte, 2025.
Rio cheio, muita água, água escura, fundo. Dessa água emerge plantas, mato, florais. Detalhes de cada tipo se formam em pétalas laranja, folhas brancas, arranjos rosas, azuis e violetas, na luz, viram alguns vermelhos. Até que as flores alcançam o céu de uma chuva que emenda no rio.
Na beira da correnteza
Por Pedro Kubitschek
Belo Horizonte, 2025.
Margem rebuscada, cheia de arranjos pictóricos, flores selvagens que vão surgindo em várias alturas. Pincelas e tons sobrepostos, uns maiores, correm com a ponta do pincel, em linhas geográficas. Nos fundos escuros pigmentos claros fazem contrastes, nos tons terrosos, o rosa e vermelho se misturam como se emergissem de outras camadas. A cada canto da obra detalhes, espécies de floras que fazem o olhar ir navegando, encontrando novos tipos de flores, novas cores, novas texturas, novos claros e escuros, pequenos habitats em cada parte da obra. De longe, é visível a água, o rio que passa por baixo da mata. Mata mais densa, escura, não muito alta, o céu é claro ao fundo no alto da tela, sombras e galhos. Algumas cores fortes se destacam no empuxo das linhas da paisagem, os tons vão se diferenciando e mudando as cores, mas a atmosfera é a margem de um rio florida e sombria ao mesmo tempo. Num tempo que não existe no agora, pode ter pertencido a um passado ou vem num futuro qualquer de um lugar que resistiu ou persiste.
A vida nos chama!
Por Nanda Kubitschek
Belo Horizonte, 2023.
Como é curioso como cada um de nós carrega algo que nos move! Algo que pulsa, que transborda quando temos a oportunidade de vivenciar. Pode ser uma habilidade com a música, com o esporte, com a arte. Como pode ser também uma habilidade de cuidar, de ouvir, de ensinar, ser generoso.
E será que todos nós já identificamos nosso talento, nossa paixão? Se sim, será que estamos externando, colocando para o mundo nossa habilidade? Se não, o que nos falta para experimentar e descobrir?
A vida é um chamado! Tem um sentido a ser descoberto, algo a realizar além de nós mesmos. E não falo necessariamente de algo grandioso, porque também as pequenas ações do dia a dia tem o poder de transformar vidas. O que está designado a você, ninguém fará no seu lugar. Vale a reflexão!
O agora é o melhor lugar para se estar!
Por Nanda Kubitschek
Belo Horizonte, 2023.
Por que muitas vezes temos a sensação que estamos no lugar errado? Parece que o corpo está em um lugar e a mente em outro e nunca estamos de fato no presente.
Como o nome já diz, o momento que estamos vivendo é um PRESENTE! Por que, muitas vezes, não o aproveitamos? Não nos dedicamos a ele de corpo e alma? Se é para trabalhar, que seja feito com toda a dedicação. Se é para descansar, que possamos desligar a mente e relaxar. Se é para estar com a família, brincar com o filho, que seja feito com todo o amor e
atenção. Um simples escovar de dentes! Se você tirou aquele momento para isso, que seja bem feito!
atenção. Um simples escovar de dentes! Se você tirou aquele momento para isso, que seja bem feito!
Se eu puder dar um conselho, aproveite o agora! Aproveite acordar com saúde e ter um dia de presente para desembrulhar. Aproveite o simples que só quando nos é retirado, damos o real valor como um bom banho, o paladar para apreciar uma boa comida, o vento no rosto, o carinho da família, uma boa música. Se entregue ao momento! Claro que precisamos da visão de futuro, de planejamento, mas não deixe que isso te tire o momento mais importante que estamos vivendo que é o agora!